segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os recordes do agronegócio



Os recordes do agronegócio
Êxito é resultado de crédito, tecnologia e eficiência dos produtores, mas também é fruto de decisões adequadas na hora certa

O Estado de S.Paulo


O êxito do agronegócio é resultado de crédito, tecnologia e eficiência dos produtores, disse o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, na cerimônia de lançamento do Plano Safra 2017/2018 da instituição, que disporá de R$ 103 bilhões. 
Mas é também fruto da tomada de decisões adequadas na hora certa, pois, se não houver financiamento da safra no momento certo, “não adianta São Pedro”, destacou o ministro da Agricultura, Blairo Baggi, na mesma cerimônia. E é consequência de uma atuação firme na busca de mercados, que se conquistam “na cotovelada e na botina”, como acrescentou o ministro, em linguagem franca. 
Essa combinação tem funcionado de maneira exemplar até agora, como se pode constatar em números recentes sobre produção e exportações do agronegócio, que “tem sido fundamental no esforço de retomada” do crescimento, como observou o presidente do Banco do Brasil.
Os dados são, efetivamente, animadores. As exportações do agronegócio alcançaram US$ 9,27 bilhões em junho, com aumento de 11,6% em relação ao resultado de um ano antes. As importações, de sua parte, cresceram 6,1% nessa comparação, chegando a US$ 1,16 bilhão em junho. 
Daí resulta um superávit comercial de US$ 8,12 bilhões no mês, o segundo melhor resultado de junho na série calculada pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura (o maior saldo, de US$ 8,40 bilhões, foi alcançado em 2014).
O complexo soja (grão, farelo e óleo) liderou as vendas em junho, quando respondeu por 41,7% do total das exportações do agronegócio. Em seguida aparecem, pela ordem, o complexo sucroalcooleiro e o setor de carnes.
No primeiro semestre, o agronegócio registrou saldo comercial de US$ 40,8 bilhões e, em 12 meses até junho, de US$ 73,2 bilhões. É, de longe, o principal responsável pelos bons resultados que a balança comercial vem apresentando. O ministro da Agricultura elogiou o trabalho dos diplomatas brasileiros que atuam no exterior na preservação e ampliação de mercados para os produtos agropecuários e agroindustriais aqui produzidos.
Além de sustentar os saldos da balança comercial, a produção agrícola vem assegurando o abastecimento interno e contribuindo para manter a inflação em níveis baixos, graças à supersafra. Em sua mais recente estimativa, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu que a safra brasileira de grãos de 2016/2017 pode alcançar 237,22 milhões de toneladas, o que corresponderia a um aumento de 27,1% sobre o total de 186,6 milhões de toneladas da safra anterior. É o resultado, segundo a Conab, da combinação de condições climáticas favoráveis e do aumento da produtividade média em todas as culturas.
Com outra base de cálculo, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de junho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou a safra de grãos em 240,3 milhões de toneladas, com aumento de 30,1% sobre a produção de 2016.
No estudo da Conab, soja e milho destacaram-se no ganho de eficiência, graças ao alto nível de aplicação tecnológica. A produtividade da soja subiu de 2.870 kg/ha para 3.362 kg/ha e a do milho, de 4.178 kg/ha para 5.522 kg/ha. Os ganhos de produção e de produtividade que têm assegurado safras crescentes resultam da constante busca de eficiência pelos produtores, dentro e fora das porteiras das fazendas, e do apoio científico e tecnológico propiciado por instituições públicas, especialmente a Embrapa.

Os recursos reservados pelo Banco do Brasil para a concessão de crédito ao setor de agronegócio no Plano Safra 2017/2018 serão 30% maiores do que os aplicados na safra anterior. Do total de R$ 103 bilhões, R$ 91,5 bilhões serão aplicados em crédito rural para produtores e cooperativas, sendo R$ 72,1 bilhões para operações de custeio e comercialização e R$ 19,4 bilhões para investimento. Os restantes R$ 11,5 bilhões serão destinados a empresas da cadeia do agronegócio. O banco responde por cerca de 60% do crédito concedido ao agronegócio do País.

Foro de São Paulo comemora Castro, Guevara, Revolução russa, Venezuela e... Lula!



Lula e Venezuela serão temas dominantes do Foro de São Paulo na Nicarágua


A solidariedade com a Venezuela e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão os temas dominantes do XXIII Encontro do Foro de São Paulo, que será realizado de 15 a 19 de julho na Nicarágua, afirmou nesta sexta-feira uma fonte do partido governista nicaraguense Frente Sandinista de Libertação Nacional.

"Alguns temas vão dominar o foro: a solidariedade com a Venezuela e com Lula", disse a jornalistas o presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Assembleia Nacional, Jacinto Suárez.
A Venezuela vive momentos críticos após mais de 100 dias de manifestações que deixaram pelo menos 94 mortos e a convocação do governo de Nicolás Madura para uma Assembleia Nacional Constituinte.
O ex-presidente Lula enfrenta uma condenação de 9 anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, ditada nesta semana em primeira instância pelo juiz federal Sergio Moro.
O Encontro do Foro de São Paulo na Nicarágua espera reunir representantes de 118 partidos políticos de esquerda de 26 países da América Latina.
O governo de Cuba informou que enviará ao encontro uma delegação liderada pelo chefe de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista da ilha, José Ramón Balaguer.
Está prevista para a reunião a aprovação de um documento chamado "Consenso da nossa América", com o qual partidos e movimentos da esquerda da América Latina e do Caribe recolhem projeções para um programa politico em função da união, segundo jornais cubanos.
Suárez afirmou que o foro será dedicado ao ex-governante cubano Fidel Castro, morto no final de 2016, e ao argentino Ernesto "Che" Guevara, pelo 50º aniversário de sua morte, e ao centenário da Revolução Russa.


Fonte: EFE

domingo, 16 de julho de 2017

Meio-ambiente e a "migalha" da Noruega. Assim deve ser nossa diplomacia!


Secretário da Agricultura põe o dedo 

na cara da Noruega


"Migalha." Foi assim que o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, descreveu a ajuda de US$ 1 bilhão dada pela Noruega para o Brasil nos esforços de combate ao desmatamento no País. 

Há duas semanas, a Noruega anunciou que vai cortar os pagamentos ao Brasil em 2017 para o fundo que é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

O anúncio ocorreu durante a visita do presidente Michel Temer (PMDB) ao país e foi considerada internamente como uma "deselegância" contra o Brasil.

Em Genebra, na Suíça, nesta quinta-feira, 13, Novacki também questionou abertamente o comportamento de países estrangeiros contra a situação do meio ambiente no Brasil. "Ninguém tem o direito de criticar o Brasil no que se refere ao meio ambiente. A Embrapa mostra que o País tem 61% do território de matas nativas", disse.

Para ele, o anúncio do corte de dinheiro da Noruega foi "muito deselegante" e teve um caráter "político". Na avaliação do secretário, tais gestos não podem ser tolerados. "Será que precisamos mesmo desse apoio? Gastamos muito mais que essa migalha que eles nos oferecem", disse.

De acordo com ele, a área de florestas no Brasil continua sendo maior do que todo o território europeu. "Isso demonstra que fizemos a lição de casa", afirmou. "Sabemos da importância que temos para a preservação do planeta. Sabemos de nosso papel. Mas nenhum produtor rural no mundo suporta o ônus que um produto rural brasileiro tem. Em alguns casos, só se pode abrir 20% da propriedade rural. Ninguém tem esse ônus." 

"Agora, o mundo vir cobrar do Brasil a questão ambiental, não pode", rebateu.

Na avaliação do secretário, está no momento de o governo pedir compensações da comunidade internacional por seu esforço na área ambiental. Uma das opções seria a de obter melhores condições de acesso para produtos exportados pelo País, como prêmio pela conservação. 

"O que queremos é que isso signifique alguma coisa. Que essa política se traduza em efeitos práticos. Queremos preferências de mercados. Não vamos aceitar queixas de que não cumprimos", alertou. "O mundo todo fala que o meio ambiente precisa ser preservado. Mas só nos pagamos a conta?", questionou. "Nos precisamos repensar esse processo. Todos precisam nos ajudar a pagar a conta."

Fonte: Com informações de O Estado de São Paulo e imagem Antonio Araujo


sábado, 15 de julho de 2017

À CPT ( ligada à CNBB) bem podem ser aplicadas as palavras: "Ai dos que vivem maquinando a maldade, planejando seus golpes" contra o Brasil. A Venezuela que o diga!




NOTA PÚBLICA

A cada dia mais direitos usurpados

O povo brasileiro recebeu, no mesmo dia, 11 de julho, dois golpes fatais contra os diretos e a democracia em nosso país: o presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB) sancionou o PLV 12/2017, até então Medida Provisória (MP) 759/2016, tida como a "MP da Grilagem", e o Senado aprovou a Reforma Trabalhista. No dia seguinte, para desviar o foco do cenário de horrores de tais reformas, o juiz Sérgio Moro condenou, sem provas, o ex-presidente Lula a nove anos e meio de prisão.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) já denunciou, em Nota do dia 06 de junho de 2017, o grave perigo que a MP 759 significa para as populações do campo

Neste mesmo sentido, a aprovação da Reforma Trabalhista e a rápida sanção presidencial dela demostram um esquema ágil e articulado de usurpação total de direitos do povo brasileiro, o que vai expor a população às mais diversas e cruéis violências sociais.

Todo este projeto de desmonte de direitos dos cidadãos e cidadãs significa um pesadelo sem prazo para acabar e que resultará em muitos e graves retrocessos e perdas: regularização de terras griladas e entrega de terras a estrangeiros, com o consequente aumento da grilagem; desmonte e abandono dos assentamentos rurais, provocando o êxodo; violência agravada na cidade e no campo - a CPT já registrou em 2017, até o momento, 48 assassinatos de camponeses em conflitos no campo; aumento do desemprego, precarização da saúde e da educação, recessão econômica, domínio da terceirização e outros males. 

A elite política e econômica perdeu o pudor e, descaradamente, sem nenhum escrúpulo, joga num poço de lama a população e suas perspectivas e possibilidades de melhoria de vida, tudo isso para garantir seus privilégios escandalosos.

A crise sem precedentes que vivemos é uma demonstração da total subordinação dos poderes da República aos interesses do capital. Para isso, sacrificam-se, sem cerimônias, os direitos dos mais pobres, duramente conquistados.

No âmbito do Judiciário, a postura do juiz Sérgio Moro em relação a Lula já era esperada e revela uma atuação política, não independente, parcial, que tende a dominar os tribunais brasileiros, num judicialismo antirrepublicano. 

Como se não bastasse, o "leilão" promovido por Temer para "comprar" com dinheiro público e cargos os votos dos deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a seu favor, pela rejeição da denúncia contra ele por corrupção passiva, enterra de vez a credibilidade da República brasileira.

A esperança está nas ruas. Não se pode tolerar que uma classe política tão corrompida decida os destinos de um povo tão diverso e com tantas potencialidades.

Junto com o povo exigimos Eleições Diretas Já e a revogação de todas as reformas feitas contra os trabalhadores e os mais pobres.

Com o profeta Miqueias dizemos: "Ai dos que vivem maquinando a maldade, planejando seus golpes, deitados na cama. É só o dia amanhecer e o executam porque está a seu alcance" (Mq 2,1).

Goiânia, 14 de julho de 2017.

      Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Enfim ! Bispos se alarmam com a crise venezuelana


Bispos denunciam ditadura socialista na Venezuela

Péricles Capanema

Em meados de maio o presidente Dona1d Trump garantiu, fará “o que for necessário” em cooperação com outros países do continente para normalizar a situação na Venezuela, classificada por ele como “uma desgraça para a humanidade”. Foi uma forma de solicitar ação coordenada de países latino-americanos.

Vladimir Putin agiu em sentido contrário. Manifestou sua admiração por Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, por governar com coragem para manter a estabilidade e a paz. De outro modo, a presente atuação do governo venezuelano, diz ele, favorece a estabilidade e a paz no país e na região. Declarou ainda, condenava esforços políticos internos e externos que desconhecem a ordem constitucional no país. Ou seja, censura as ações da oposição venezuelana que procura livrar a nação das garras da ditadura bolivariana, capitaneada em parte por agentes castristas.

Mais um ponto. Como se sabe, Nicolás Maduro acusa os Estados Unidos de insuflarem os protestos no país. A atitude do presidente russo revela clara oposição aos Estados Unidos, quando censura os “esforços políticos externos”. Este, o quadro externo.

Agora, novidade importantíssima no quadro interno. O apoio do autocrata russo antecedeu por pouco enérgica tomada de posição de todos os arcebispos e bispos venezuelanos. Em 13 de julho pelo documento intitulado “Mensagem urgente aos católicos e pessoa de boa vontade na Venezuela”, os bispos do país reagiram enérgica e valentemente contra o processo de comunistização em curso no país.

Vamos ao documento. De início, a denúncia da fome: “Fazemos nossos os clamores das pessoas que se sentem golpeadas pela fome, falta de garantias para a saúde, difícil compra de remédios, a insegurança em todos os sentidos. Embora o povo ainda mantenha a esperança, hoje sofre muito mais”. Deixam claro, a ação do regime generalizou a fome.

A seguir, a denúncia da violência: “Em nosso país a violência ganhou caráter estrutural. São variadas suas expressões, desde a violência irracional com sua dolorosa cota de mortos e feridos, danos a residências, perseguições. A repressão oficial gera tensão e anarquia. A prisão de muitas pessoas, sobretudo jovens, por se opor ao governo, agrava ainda mais a situação. Circulam denúncias sérias sobre torturas. Existem pessoas processadas arbitrariamente pela Justiça militar que foram levadas a penitenciárias de segurança máxima”. Acusa na sequência os grupos armados pelo chavismo para intimidar a oposição: “Muitas de nossas comunidades e instituições são flageladas por grupos paramilitares ilegais que agem debaixo do olhar complacente das autoridades”. O regime causa a violência contra o povo.

Os bispos venezuelanos denunciam então o instrumento governamental para continuar no poder, o que perenizará também a fome e a violência: “Embora a crise padecida pelos venezuelanos seja de muitos anos, nos últimos meses aprofundou-se por causa da iniciativa do governo de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, questionada e recusada pela maioria do povo venezuelano. Mais uma vez a Constituição foi violada e o Tribunal Supremo da Justiça (TSJ) e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) avalizaram o que propõe o Executivo. O mencionado projeto pretende impor ao país um regime ditatorial”.

Em sentido contrário, os bispos apoiam a consulta determinada pela Assembleia Nacional, de maioria oposicionista: “No próximo 16 de julho, promovida pela Assembleia Nacional, haverá uma consulta popular, que goza de toda legitimidade”.

Concluem então os bispos com apelo de enorme gravidade, do qual destacamos: “Como pastores da Igreja na Venezuela, ecoando os clamores da imensa maioria de nosso povo, elevamos nossa voz e exigimos da Força Armada Nacional Bolivariana [do Exército, em linguagem simples] que, como determina a Constituição, cumpra seu dever de estar a serviço do povo no respeito e garantia da ordem constitucional e não simplesmente a serviço de um regime, de um partido ou de um governante. Apelamos à consciência de todos seus membros, não esqueçam que também fazem parte do povo”.

A gravíssima postura episcopal procura evitar desenlace trágico e iminente: “O que se busca é instaurar um Estado socialista, marxista e militar”. Em resumo, para os bispos, a Venezuela se encontra às vésperas da ditadura comunista. Assinam o documento todos os arcebispos e bispos venezuelanos.


Este artigo poderia se chamar: Um bom exemplo episcopal. Tocante. Infelizmente raro em nossos dias. Enorme bom exemplo, por exemplo para a CNBB, favorecedora contumaz dos programas e governos petistas, os grandes apoios do chavismo na América Latina. Segui-lo evitaria, como mostram os bispos da Venezuela, enormes sofrimentos para o povo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Redução a condição análoga à de escravo




Redução a condição análoga à de escravo

Péricles Capanema

Veja acima o título, é delito punido no Brasil, artigo 149 do Código Penal: “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção”. A seguir: “Nas mesmas penas incorre quem cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho”. Mais ainda: “se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho”.

Hoje não quero falar do Brasil (só um pouco), vou tratar da China. Por ação, cumplicidade, desleixo ou omissão, é desse crime que o governo dos Estados Unidos está acusando o governo da China. Começa assim o 2016 Trafficking in Persons Report: “A República Popular da China é origem, destino e local de trânsito para homens, mulheres e crianças submetidos a trabalho forçado e tráfico sexual”.

Preciso, trabalho forçado a lei penal brasileira chama de condição análoga à de escravo. O documento afirma existirem 294 milhões de chineses (indocumentados) potencialmente sujeitos a trabalhos forçados em minas de carvão e fábricas, parte das quais opera ilegalmente e se aproveita da frouxa regulamentação governamental. Acrescenta: “Crianças em programas de trabalho e estudo apoiados pelos governos locais e escolas são obrigadas a trabalhar em fábricas. Homens africanos e asiáticos são explorados em navios chineses, trabalhando em condições indicadoras de trabalho forçado”.

Aqui o mais direto do texto contra o governo chinês: “Permanece a preocupação com o trabalho forçado patrocinado pelo Estado. Por décadas, a ‘reeducação pelo trabalho’ representou uma maneira sistemática de trabalho forçado na China. O governo da República Popular da China se aproveitou do trabalho forçado de pessoas sujeitas a detenção administrativa (extrajudicial), muitas vezes sem remuneração, até por quatro anos. [...] Continuam as informações de utilização atual de trabalho forçado nas instalações governamentais de reabilitação”. Mais abaixo, o documento reitera: “Continuam nos chegando as informações da cumplicidade governamental com o trabalho forçado, inclusive mediante políticas de trabalho forçado em programas com patrocínio governamental. Apesar do anúncio oficial de 2013 de abolição da prática de reeducação pelo trabalho, continuamos a receber notícias que não puderam ser checadas sobre centros governamentais de detenção fora do sistema judicial”.

Stalin (não apenas ele) já se utilizava de expedientes desse tipo. Precisava de mão de obra, mandava prender, não pagava e depois soltava. Ou não. Assim se recrutou parte da mão de obra escrava, milhões e milhões de desgraçados, retratada no Arquipélago Gulag de Alexandre Solzhenitsyn. Aqui, nada mudou.

Sobre a exploração sexual é severo o relatório: “Mulheres e moças estão também sujeitas ao tráfico sexual dentro da China. Mulheres e crianças de países asiáticos vizinhos, África e América estão sujeitas a trabalhos forçados e a tráfico sexual na China. Mulheres norte-coreanas estão sujeitas a prostituição forçada, ao casamento forçado, ao trabalho forçado na agricultura, ao trabalho doméstico forçado e ao trabalho forçado nas fábricas”.

Sobre a situação dos norte-coreanos: “O governo sustenta que não repatria compulsoriamente nenhuma vítima do tráfico. Antes do período coberto por este relatório, notícias verossímeis davam conta que autoridades chinesas repatriavam compulsoriamente refugiados norte-coreanos tratando-os como imigrantes econômicos ilegais. O governo detinha e deportava referidos refugiados para a Coreia do Norte, onde podem sofrer punições severas, campos de trabalhos forçados, até a morte”.

Transcrevi muita coisa, pode até ser penoso, sei. Foi necessário. A maioria dos dados do relatório ficou fora, mas a íntegra pode ser facilmente compulsada na rede.


Quais as razões da necessidade? Enumero duas. A mais imediata, a China se transformou no maior parceiro comercial do Brasil. Mantido o rumo, daqui a pouco, por meio de suas estatais, será presença gigantesca na economia brasileira. O favorecimento escandaloso das relações econômicas com a China, com detrimento dos Estados Unidos e União Europeia, diretriz de política exterior dos 13 anos petistas (infelizmente o favorecimento permanece hoje no essencial, embora tenha cessado a sabotagem aos interesses norte-americanos e europeus), não só lesou gravemente nosso futuro de nação soberana. Esbofeteou cruelmente os direitos à liberdade de centenas de milhões de chineses, situação evidenciada acima. Razão mais funda, moralmente não é lícito favorecer a escravidão. Podem apostar, a esquerda tupiniquim vai se calar diante dessa lesão aos direitos humanos. É política patrocinada pelo Partido Comunista Chinês.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Macron e seu trono de duas pernas



Macron e seu trono de duas pernas


Nelson Ribeiro Fragelli


Em outubro de 2016 uma sondagem de opinião do prestigioso instituto francês IPSOS fazia uma revelação: 88% dos franceses estão profundamente insatisfeitos com os rumos do país.

        Em maio deste ano, novo estudo de opinião — o relatório anual do Conselho econômico, social e ambiental (CESE) — agravou ainda mais o ânimo nacional. “Le Monde” (24-5-17) cita trechos desse estudo, revelador do atual pessimismo dos franceses que, desorientados, não sabem o que fazer. Não se mobilizam e se consideram condenados a viver dias ainda piores. O estudo acrescenta que se torna urgente um despertar coletivo.

À guisa de resumo de suas conclusões, o relatório põe em destaque uma frase do socialista histórico Jean Jaurès, pronunciada pouco antes de seu assassinato em 1914: “Há na França, a propósito dos problemas vitais, uma inércia do pensamento, uma sonolência do espírito.” As recentes eleições presidenciais e legislativas confirmam esse diagnóstico.

*       *       *

         Diante desse quadro, tudo se arranja na política francesa para que o recém-eleito jovem presidente Emmanuel Macron erga a cabeça de seu país entorpecido. O esforço publicitário para apresentá-lo revestido de grandezas passadas é imenso. Jornais e revistas, de esquerda e de direita, apresentam-no vistosamente em uniformes de Napoleão ou sentado com majestade num trono.
         
           Vladimir Putin veio homenageá-lo. O encontro foi no majestático cenário do Palácio real de Versalhes, cujos suntuosos corredores e salões ambos percorreram. Na Galeria das Batalhas eles se cercaram de pinturas magníficas de combates legendários. Quinze séculos de heroísmo os emolduravam, desde Clóvis, vencedor de Tolbiac em 496, até as vitórias de Napoleão em Austerlitz e Wagram. Seriam os dois vivazes políticos, de passado desconhecido, emanações modernas daqueles heróis? A encenação o sugeria. Mas os personagens não cabiam no papel...

         Os jardins de Versalhes acolheram seus passos. Putin, habitualmente inexpressivo, olhava para Macron como um ajudante de ordens poderia olhar seu general após a vitória. E Macron parecia não vê-lo. Fitava o longínquo horizonte em sonhos grandiosos...

         A representação não está convencendo. Apenas eleito, Macron deveria ser confirmado pelo voto popular no primeiro turno das eleições parlamentares, em 11 de junho. Seu partido saiu favorito, mas com o menor número de votos já obtidos por um governo na V República. A abstenção bateu recorde histórico. Não houve o “despertar coletivo” desejado pelo CESE.


         Em 18 de junho deu-se o segundo turno. Novo recorde de abstenção: 57%. Somados aos votos em branco, temos 64% dos eleitores que não se importam com Macron, nem com os rumos da Nação. No dia seguinte, o jornal alemão “Die Welt” escreveu que a encenação tentava pôr Macron no trono de Júpiter, o pai dos deuses. 

Mas, a olhos vistos, não está dando certo. Apesar do pouco caso dos eleitores, Macron obteve maioria parlamentar. Só que seu trono tem apenas as duas pernas de trás. As duas da frente são as dele mesmo.